Horário de almoço
Um casal caminha à minha frente de mãos dadas, e subitamente isso me desperta imensa ternura.
Talvez seja o céu ou o sol, o dia ou a hora. Olho para a cena e sinto-me presa a ela.
Não sabem que os observo, mas não consigo deixar de fazê-lo. São bonitos e combinam entre si. Ela é alta e veste uma calça elegante, que favorece suas pernas esguias; ele tem um corte de cabelo maneiro. São jovens, mas parecem estar juntos há tempos — carregam no gesto uma familiaridade antiga.
Talvez seja isso o que me encanta. Por que andar de mãos dadas, se o costume bastaria?
Não precisava ser, mas é.
Não sabem que os observo, mas a natureza parece saber. Enquanto passam debaixo de uma árvore, um vento leve bate nos galhos, que derrubam mil folhinhas sobre eles, tal como noivos sob uma chuva de arroz.
Na esquina seguinte eu viro, enquanto eles continuam seu caminho.
O encanto do instante se desfaz… Mas no meu coração permanece a suavidade daquele momento tão breve, roubado no horário de almoço.
